Camelôs comemoram terceiro aniversário do MUCA

O Movimento Unificado dos Camelôs (Muca) comemorou na sexta-feira, dia 30, às 15h, na Candelária, o terceiro aniversário de sua criação. O Muca foi fundado em 1º de julho de 2003 com o apoio da CUT. Participaram da festa camelôs do Centro, da Tijuca e de Madureira, além da presidente da CUT-RJ, Neuza Luzia Pinto; do vice-presidente, Darby Igayara e dirigentes de sindicatos filiados à CUT e jovens do movimento estudantil. Neuza lembrou aos donos da festa que é a união e resistência que garante o direito dos ambulantes ao trabalho.

Nesses três anos, o Muca travou uma luta incansável pelo direito do camelô ao trabalho e contra a violência da Guarda Municipal da administração César Maia (PFL). “A orientação dada por César Maia à Guarda Municipal, que cumpre suas ordens, resultou em muito sofrimento para aqueles que dependem do comércio ambulante para sobreviver”, afirma a coordenadora do Movimento, Maria de Lourdes.

Maria, que ficou conhecida na cidade como a Maria dos camelôs, conta que, nos últimos anos, 230 camelôs foram presos na cidade.

“O Carlos Renato ficou cego de tanto apanhar da Guarda Municipal. No dia 24 de setembro de 2003, o vendedor de castanhas André morreu, vítima de um atropelamento na Av. Atlântica, quando fugia da fúria insana de guardas municipais que já tinham se apoderado de sua mercadoria por várias vezes”, denuncia Maria.
Leia a seguir, entrevista de Maria de Lourdes dos Santos – Maria dos Camelôs -, em nome do MUCA, concedia a Nestor Cozetti, da Rede de Jornalistas Populares.

Nestor – Como os camelôs podem se defender do modo como são criminalizados ao revenderem os produtos chamados ‘piratas’?
Maria – Em primeiro lugar, eu não defendo a pirataria, eu defendo o direito ao trabalho, ou seja, defendo os trabalhadores. O direito universal ao trabalho, a ganhar o sustento de sua família. Apesar de achar que isso é uma besteira, o questionamento de que é pirataria, porque você vai à loja comprar um cd, por exemplo, e ele custa R$ 50, 60 e até 70 reais, e aí você, que é pobre, não vai poder comprar. E, neste caso de alto preço, estará sem o direito de ter acesso a essa cultura. O que parece feito de propósito, o preço, para somente o rico ter acesso.

Nestor – Quais as razões que levam os ambulantes a fazer este tipo de trabalho?
Maria – O desemprego. Mas quero deixar bem claro que esta prática não é somente dos vendedores ambulantes. Todos sabemos que os estudantes tiram cópias de livros e isto também é pirataria, mesmo que não seja para vender. Enfim, todo mundo faz cópias de produtos, inclusive alguns para vender, para sobreviver.

Nestor – Vocês sofrem muitos tipos de perseguição?
Maria – Sim, da Guarda Municipal que nos ataca fisicamente e rouba nossos produtos. Quando faz a apreensão das nossas mercadorias não o faz legalmente, como manda a lei, registrando o auto de apreensão e dando-nos uma cópia, o que seria o correto. Eles levam nossas mercadorias, roubam-nos e não nos devolvem mais, e, inclusive temos denúncias de que guardas municipais revendem nossas mercadorias.

Nestor – Quais são as suas principais reivindicações?
Maria – A organização do comércio ambulante, a prefeitura nos cedendo espaços próprios no centro da cidade, com barracas padronizadas, todo mundo registrado direitinho como vendedor ambulante junto a um órgão competente, inclusive nos cobrando os devidos impostos. E que nós tenhamos o direito ao atendimento junto ao INSS, pois estaremos sendo contribuintes.

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