CUT e o recadastramento

CUT defende novo recadastramento de camelôs

Novo recadastramento para ambulantes
é uma questão de justiça

A crise no setor de segurança pública do estado trouxe à tona vários problemas apontados pela CUT-RJ e pelo Movimento Unido dos Camelôs durante as discussões para o recadastramento do comércio ambulante ocorridas em 2009.

Não bastasse a prisão de um dos responsáveis pela política atual da prefeitura para o setor, também ficou claro que verdadeiras máfias controlam os camelódromos da cidade através da utilização de laranjas. Segundo a delegada que chefiou a operação na Uruguaiana, a quadrilha de contrabandistas ali desbaratada chegava a cobrar
R$ 300 mil reais por cada box.

Como nenhum trabalhador dispõe desta quantia, ficam evidentes as graves falhas do recadastramento de ambulantes feito pela prefeitura, que deu margem à consolidação de esquemas criminosos, em detrimento dos trabalhadores e trabalhadoras que vão às ruas ganhar o pão de cada dia. As toneladas de produtos apreendidos pela operação policial no camelódromo da Uruguaiana, no mês passado, falam por si. Elas são a prova cabal do fracasso do recadastramento da prefeitura.

E ontem (24 de fevereiro), numa demonstração de que nada mudou, mais uma operação policial flagrou uma enorme quantidade produtos falsificados sendo comercializados abertamente no camelódromo. O fato é que qualquer cidadão dotado de um mínimo de senso de observação há de se perguntar : como pode um mega-esquema mafioso como este funcionar durante tanto tempo a poucos metros de várias delegacias, de quartéis da PM e da Secretaria de Segurança Pública ? Muito provavelmente só com a “proteção” e a conivência de maus policiais.

Vale lembrar que a CUT e o Muca, em defesa de critérios justos para o recadastramento, não hesitaram em realizar passeatas e atos públicos e negociar com o prefeito Eduardo Paes e com o então secretário da Ordem Pública, Rodrigo Betlhem.

Entre as nossas principais reivindicações, sempre esteve a limitação de uma barraca por ambulante nos camelódromos, justamente para impedir a ação das quadrilhas de contrabandistas que nada têm a ver os interesses da categoria dos ambulantes. Infelizmente, não fomos ouvidos.

A CUT e o Muca defenderam também regras de recadastramento que não só priorizassem idosos e deficientes físicos, mas que garantissem também o amplo direito ao trabalho – o mais importante de todos os direitos sociais.Tudo isso tendo como base a transparência e o fim da violência contra os trabalhadores e trabalhadoras ambulantes.

No entanto, a Operação Guilhotina da Polícia Federal pegou com a “boca na botija” um dos expoentes da política de repressão e intolerância contra os camelôs : ninguém menos que o delegado Carlos Oliveira, subsecretário de Ordem Pública. Defensor de primeira hora do “choque de ordem” seletivo da prefeitura, ou seja, somente contra os pobres, o delegado é acusado pela PF de envolvimento com o crime organizado.

Esses acontecimentos só reforçam a necessidade de autoridades do município e do estado ouvirem mais os movimentos sociais na definição de suas políticas públicas.Por outro lado, em vez de criminalizar movimentos como os de camelôs, sem-teto, sem terra, etc, as autoridades deviam monitorar com mais atenção a atuação de criminosos travestidos de servidores públicos graduados.

Diante deste quadro, a CUT-RJ considera inadmissível do ponto de vista ético que o último recadastramento permaneça em vigor. Também em nome do seu compromisso histórico com a classe trabalhadora e com as políticas de inclusão social , a central vem a público cobrar a abertura de um novo processo de recadastramento dos trabalhadores ambulantes do Rio de Janeiro, voltado exclusivamente para os muitos homens e mulheres que precisam trabalhar para garantir o pão de cada dia.

Rio de Janeiro, 25 de fevereiro de 2011

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