O 1º DE MAIO E AS REFORMAS URBANAS

O 1º DE MAIO E A LUTA CONTRA AS REMOÇÕES PARA A COPA DO MUNDO E OLIMPÍADAS

Nós, que lutamos contra este modelo de cidade e de desenvolvimento que privilegia os grandes investimentos como o Trem-Bala, reforma do Maracanã, as vias Transcarioca, Transoeste, Transolímpica, linha 4 do metrô, Porto Maravilha, Teleférico, devemos pensar a razão de tantas injustiças.

Todos os projetos e suas engenharias financeiras não são democratizadas, ou seja, não há consulta, nem o amplo debate com setores da cidade que serão atingidos pelas desapropriações, nem pela comunidade que será “beneficiada”. No nosso modelo de democracia onde o legislativo e o executivo são eleitos em campanhas caras, com o apoio do poder econômico, os eleitos sentem-se a vontade preparando a cidade para os negócios, para os investimentos urgentes e necessários para estes megaeventos esportivos, passando com o trator nas moradias das pessoas pobres, na democracia e nas leis em função dos compromissos com a FIFA e com o COI.

O presidente dos EUA, Barack Obama, esteve no Brasil se habilitando a comprador de petróleo e a investidor na infra-estrutura para Copa do Mundo e Olimpíadas e já estava decidido que o indicado para Autoridade Pública Olímpica (APO) é o Henrique Meirelles, ex-presidente do Bank of Boston e do Banco Central, no Wikileaks consta numa correspondência da embaixada americana com Washington dizendo que ele pretende “contribuir nos bastidores em pressionar por reformas regulatórias prioritárias para melhorar o clima dos negócios” para os empresários norte-americanos no Brasil.

Os bancos que financiam estes mega projetos são os líderes do capitalismo, desta forma dos governos fazerem o superavit primário para pagar juros da dívida pública, desta austeridade com gastos públicos, que privatizam os serviços públicos, a contenção do orçamento que levará ao menor investimento em educação, saúde, transporte e cultura, acarretando na cidade violenta e excludente, que terá espaços privilegiados para os empresários e seus empregados qualificados, enquanto a maioria da população será afastada para a periferia, com péssima educação, saúde, cultura e transporte, além da poluição das siderúrgicas, petroquímicas e outras indústrias agressivas que vão se instalando com subsídios e frouxa fiscalização ambiental.

A questão da precarização do trabalho, das perseguições aos camelôs, aos artesãos, aos artistas de rua tem que ser enfrentada. A cultura da violência e do medo, com soluções policiais para conter a diversidade e a revolta contra a super-exploração do trabalho, das riquezas e da exclusão na cidade, deve ser denunciada. Então o nosso 1º de maio tem que ocupar as praças, dizer que esta cidade é nossa, que precisamos de um modo de trabalhar, produzir e dividir as riquezas diferente. Temos que conquistar a Reforma Agrária e apoiar a agricultura familiar sem agrotóxico. Temos que retirar o poder dos que tem privilégios, dos que concentram renda em detrimento da maioria das pessoas.

Vamos valorizar o trabalho, mas com solidariedade, com diversidade, com democracia verdadeira, temos que acabar com a farsa sustentada com o monopólio das comunicações nas mãos dos mesmos poderosos, a democratização da comunicação não é censura, pelo contrário, atualmente as visões discordantes são censuradas, as grandes redes de comunicação não pautam nossos questionamentos, nem nossos movimentos, quando o fazem distorcem e criminalizam a pobreza e seus movimentos de reivindicação.

São questões que envolvem o desenvolvimento do capitalismo no mundo, temos que desenvolver propostas que aproximem as pessoas que lutam contra as injustiças, não adianta só denunciar, temos que planejar como será possível um outro mundo.

Hertz Leal,
Movimento Unido dos Camelôs

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