Vila Autódromo Traída

VILA AUTÓDROMO TRAÍDA

   foto protest-3 RioOnWda http://www.rioonwatch.org/?p=12103

   Logo após as Jornadas de Junho de 2013 a elite dominante ficou abalada com a mobilização popular, tanto que decidiu suspender o aumento das passagens, dentro desse movimento o prefeito Eduardo Paes anunciou que não haveria remoção da Vila Autódromo, podendo ficar quem assim o desejasse. O governo do estado anunciou a suspensão da demolição do Estádio de Atletismo Célio de Barros, do Parque Aquático Júlio Delamare, da Escola Municipal Friedenreich e do prédio do antigo Museu do Índio que era ocupada pelo coletivo indígena Aldeia Maracanã todos no entorno do recém privatizado Maracanã. No entanto, infelizmente, estas declarações são expressões de uma postura hipócrita e não condizem com a prática do poder público.

    O Comitê Popular da Copa e Olimpíadas continua apoiando a luta contra as violações dos direitos e no sábado dia 18 de abril esteve na Vila Autódromo numa Missão para relatar os acontecimentos sofridos pelos moradores da região.

   Nossa comitiva chegou pela manhã e obteve o impacto da transformação radical na entrada da comunidade, pois foram arrancadas as árvores que davam um aspecto agradável na região protegendo pássaros e moradores com as sombras acolhedoras onde agora encontramos caminhões e tratores fazendo manobras e logo em seguida observamos uma guarnição da Guarda Municipal que além de outras funções repressoras também impede a entrada de materiais de construção, a comunidade está sitiada e nos lembramos da Faixa de Gaza, pois também sofrem com a falta de serviços públicos, os caminhões e tratores afetaram a tubulação de água potável, essa água se mistura com infiltrações de esgoto deteriorando a quantidade e a qualidade da água, os serviços de energia elétrica estão precários com flutuações de voltagem, que danificam os eletrodomésticos. Os Correios estão entregando as cartas com dois meses de atraso, dificultando o pagamento das contas. A Prefeitura proíbe as lojas de materiais de construção de fazer entrega na comunidade, provavelmente ameaçando com rigor na fiscalização, ameaça repetida pelos guardas municipais aos motoristas de caminhão que ousem fazer entregas na comunidade.

   O estado de sítio se caracteriza pelo barulho constante de sirenes nas obras, pela poeira constante, pelas casas demolidas com vergalhões de ferro saindo do chão provocando perigo para as crianças que brincam pelas ruas, o morador Delmo fez um relato sobre o descumprimento da legislação de segurança em obras de construção ou demolição que não são cumpridas na Vila Autódromo, mas são exigidas em outros locais da cidade.

   Qual será o motivo que o Prefeito Eduardo Paes tem para cultivar tanto ódio aos moradores da Vila Autódromo? Eles apenas desejam morar na casa que eles construíram. Qual a razão de não apresentar o projeto de urbanização para os moradores que desejam ficar? Por quê não permite o reassentamento dos moradores que desejam ficar no “miolo”(local onde pode ser mantida moradias) da comunidade onde tem casas de pessoas que negociaram e saíram?

   Presenciamos a demolição de uma casa e ao lado o sofrimento da família do Tadeu (Tadilmarco Peixopo), que não pode mais continuar, que não recebeu uma proposta justa pela sua casa, não oferecem a opção de mudar para as casas negociadas no “miolo” da comunidade. A aflição era grande porque já ocorreu uma demolição na Vila Autódromo em que o muro caiu na casa do vizinho e quase matou uma criança. Mas o progresso dessas Olimpíadas tem esses ovos quebrados, que ocorrem nas vidas das famílias de alguns trabalhadores pobres que para o Eduardo Paes não merecem tanto cuidado, a dignidade e os cuidados desse poder público destinam-se às empreiteiras Carvalho Hosken, Oldebrecht e Andrade Gutierrez, que constroem o Parque Olímpico além de algumas outras empresas que financiam as campanhas eleitorais desses governantes.

  Viva Vila Autódromo, a luta continua e em breve o Comitê Popular da Copa e Olimpíadas lançará o Dossiê Vila Autódromo denunciando o tratamento concedido pela Prefeitura do Rio de Janeiro a essa comunidade que resiste às transformações na cidade que sediará as Olimpíadas de 2016. Qual é esse legado?

Hertz Leal

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s